8.11.06

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todo dia chuva e papel

e a tela do computador

a revelar minha íntima aversão ao trabalho

xingamentos e silêncio

silêncio e xingamentos

e a busca de uma partida

quanto mais pensava em sair dali flutuando

mais preso me via na cadeira

mais rastejava

o mais que tudo me repugnasse

o mais que tudo me aderia à pele

maior a solidão

maior o vozerio aqui dentro

sólido de menos

muita água veio do céu

deve ser chuva

os corpos em queda livre um dia quiseram parar

e assim permanecer

até que se chegasse a um acordo

que lhes proporcionasse melhores condições de cair

não adianta ficar aqui

esperando brotar em mim o amor pela vida

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Henrique...

Putz... imagino o quanto você ama este seu emprego... my god!


Eu percebo que você tem um estilo catártico de escrever, parece escrita automática... eu gosto.


Henrique, minha vida já foi trabalhar num banco, todos os dias ir para o trabalho... Banco do Brasil, seu pai trabalhou lá, você também?


Passei a minha vida assim treze anos... e depois... com quarenta e um anos decidi que minha vida não tinha acabado e que não mofaria mais lá o resto de minha vida.


Estava sob efeito de drogas legais com efeitos altamente alienantes, os antidepressivos pós-prozac... tinha coragem pra tudo, achava que podia tudo... cortei meus cabelos bem curtinho então, converti-me ao budismo e pedi demissão do Banco.


Depois de um tempo, parei com os remédios... veio a depressão... pensei em suicídio... um mendigo na rua me compreendia mais que toda a minha família ou amigos... ninguém estava comigo.


Enquanto maquinava se continuaria viva ou não... neste tempo... conheci Stefan... nos apaixonamos... perdidamente...

vim para a Alemanha

larguei todo o meu passado

aparentemente

morri para uma vida

e despertei para outra.



Bem... sem querer usei um pouquinho do seu estilo... é como sotaque, pego fácil, fácil... só alemão mesmo é que não entra de vez nesta cachola


embora falem

que eu já falo um bom alemão

eu sei o quanto é difícil

exprimir-me nesta língua alienígena

onde tudo fica entalado na garganta

como um grito parado no ar



Beijos,



Verinha Rath


Sobre o mendigo, escrevi um conto... foi verífico.


Vou procurar no Google... moment...

Aqui:


http://www.verinha.de/excluidos.htm

10/11/06 18:39  
Blogger o amanuense said...

Oi, Vera
Na verdade, meu emprego atual não me desagrada tanto. A bem dizer, ele é o melhor que já tive. Quando escrevi o texto que serviu de base à postagem que estamos comentando, eu trabalhava numa agência reguladora do governo, ou seja, minha inspiração mais direta veio de lá. Aquilo sim, era uma repartição pública na pior acepção da palavra, só pessoalmente para te contar os absurdos que vi naquele lugar.
Claro que a postagem, apesar de ter tido essa agência reguladora por inspiração direta, se aplica ao trabalho em geral. Como disse, porém, até gosto de meu trabalho no tribunal. É interessante que, mesmo no contexto do judiciário, meu tribunal tem fama de ser um bom local de trabalho. E é verdade, estou lá há 2 anos e posso dizer, o lugar tem seus defeitos, óbvio, mas, no geral, o ambiente é de muito respeito pelas diferenças individuais.
Aliás, acho que isso é do que mais gosto em Brasília. Como para cá vem gente de todo o Brasil, é muito difícil ver discriminações aqui, sejam de natureza religiosa, racial, regional, sexual, filosófica, etc. E o meu tribunal é o lugar em que vi essa aceitação funcionar de modo mais efetivo. Então, como emprego, sem sombra de dúvida, o meu atual é o melhor que já tive; mesmo o salário, que está bem longe de ser fantástico, é o maior que já recebi. Enfim, dos lugares em que já trabalhei, o atual é o que menos me dá sensação de penitência.
Meu sonho, entretanto, é poder trabalhar em casa. Para ser bem sincero, meu sonho mesmo é não ter que trabalhar para me sustentar (nada mais delicioso que o ócio infinito...) e poder morar no mato, recluso, e me dedicar a meus escritos e a minhas canetas-tinteiro (se tivesse tempo e dinheiro, eu viveria de comprá-las e vendê-las, consertá-las, etc.; pode me chamar de maluco, mas amo canetas-tinteiro, para mim elas são autênticas jóias de bolso que, além disso, servem para fazer com prazer aquilo de que mais gosto, que é escrever; e, na minha pouca convivência, toda ela pela rede, com o pessoal que coleciona tinteiros, tive oportunidade de conhecer uma gente ótima nas rodas de discussão, nas quais, olha eu de novo falando do tal do respeito, mas é isto, nas quais impera um respeito muito grande pela opinião alheia e um desejo sincero de transmitir conhecimento; enfim, é agradável, é divertido e me dá um imenso prazer).
Por ora é só, minha amiguinha.
Beijoca, H

11/11/06 06:37  

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