6.11.06

5

hoje senti uma calma

uma calma após o expediente

uma calma assustadora

que ninguém deveria sentir

uma calma que me fez deixar pedestres atravessarem a rua

uma calma que me subtraiu da comunidade de emoções habitual

uma calma que me causou um estranhamento profundo

embora calmo

uma calma de que amanhã ou depois me arrependerei

uma calma de que até o fim do dia

permita deus

estarei curado

uma calma que não dói

mas que assusta

mais que o terror

mais que a raiva

uma calma que se não me fizesse calmo

me faria desesperar

já me bastam meus velhos vícios

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Henrique, querido...

Exautsta, li o seu texto, como leio todos, mas não me sinto em condições de comentar... cansada, estou cansada demais, Henrique...


Calma... num certo trecho do seu escrito eu confesso que ri... neste: "uma calma que me fez deixar pedestres atravessarem a rua"... Henrique, aqui na Alemanha, você teria o direito de dirigir a 220 por hora ou mais, o que o seu carro pegar, mas os pedestres e ciclistas aqui são Deuses....


Beijos,



Verinha Rath (falo sério, o respeito pelos desmotorizados é enorme... assim como as multas e punições idem caso as Leis sejam desrespeitadas... ahahah... zzzzz)

6/11/06 22:46  
Anonymous Anônimo said...

Oi, Vera
Aqui em Brasília, a regra é parar para o pedestre atravessar na faixa. Também as preferências de pista são respeitadas. Claro que não deve se comparar à Alemanha, mas, em termos de Brasil, é surpreendente. O único mal é que a gente se habitua com isto aqui e, depois, quando vai a outras cidades, acaba até passando riscos por agir da maneira correta. Uma vez, em Vitória, leia-se cu do mundo, cheguei de avião e, no aeroporto, fui atravessando na faixa, como costumo fazer aqui, certo de que iam parar para eu passar, e um filho da puta num táxi quase me atropelou. Mas me parece que esse é um apanágio não só brasileiro, e sim latino. Uma grande amiga nossa, francesa e residente em Paris, disse-nos que na França a coisa é mais do jeito daqui do que daí da Alemanha. O mesmo já me foi dito da Itália. Enfim, deve estar no sangue... Porém, no que se refere ao Distrito Federal, minha frase teve um sentido mais figurado que literal, até porque o Detran daqui é bem chato e exigente e costuma despejar o livro em cima de quem causa acidentes graves (desde que não seja um figurão...).
Mais cedo, eu estava escrevendo um comentário no seu blog e tive de interrompê-lo, porque ligaram para cá dizendo que minha mãe estava indo de ambulância para o hospital. Voltei de lá agora há pouco, cerca de 1h30. Ela está bem, parece que foi só uma crise de angina, mas vai ficar internada para exames. A Janua vai passar a noite com ela.
Beijo,
H

7/11/06 02:30  

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