27.11.06

26

nunca saio de mim

nunca tenho algo de novo a oferecer

movo-me sempre entre muros

sinto-me em segurança

vivo segundo dois princípios conflitantes e indissociáveis

cuja oposição sempre faz meus esforços resultarem em zero

fui sepultado dentro de mim por mim mesmo

e sob este exterior há uma permanente luta

entre todos que sou que não quero ser que tento ser que outros querem que eu seja

desperto como se permanecesse dormindo

com medo

procurando surpreender a mim mesmo

sei que não sou quem mais sofre no mundo

mas sei ainda mais que não sei ter prazer e amar

e que quase não me comovo com as agruras alheias