26.11.06

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todo dia a folha em branco sobre a mesa

esta obrigação de palavras

a serviço de pensamentos que nem sei se são meus

falar sozinho num banco de praça

como mais um bêbado amargo

tremo diante da verdade

rastejo por qualquer migalha de fantasia

aceito o caminho que não escolhi em cujo início uma placa inequivocamente avisava morte adiada mas certa

basta-me esta espera

quem precisa morrer quando sabe que vai morrer

quem precisa da segunda quando há o domingo que sabemos certamente ser o dia antes do dia em que se deve voltar ao calabouço

ninguém pode ser feliz

exceto aquele que determina que ninguém pode ser feliz

no mais tudo não passa de dados que se devem adequar a metas

é nossa obrigação entender de uma vez por todas

os sonhos são o ingrediente básico da decepção

os pesadelos são metade da realidade

no mundo real os canibais bem sucedidos ocupam gabinetes

e lá fora suas presas pascem ou passam fome