21.11.06

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o homem criou a máquina

a máquina recria o homem

e cada um sofre as deficiências do outro

a máquina completa o homem tornando ridículo seu humano sofrimento

o homem cria máquinas e imagina máquinas criando máquinas

a facilidade trazida pela máquina deixa o homem livre para superar novas fronteiras na criação de dificuldades para as quais novas máquinas surgirão

e assim se vai

para frente diriam os arautos do progresso

a lugar nenhum diriam os pós-modernos que não sabem viver sem automóvel e telefone celular

não passamos de cães sem cauda correndo atrás da própria cauda

o inatingível inexistente

o novo símbolo do infinito

caralho eu não passo de um moralista

mas quando olho para a espécie a que pertenço

que bosta minha nossa

que serzinho desinteressante e narcisista que sou

nunca querendo apenas a felicidade

trocando o cheiro bom do mundo pelo fedor de petróleo processado e queimado

era o caminho a seguir

torturar animais pelo progresso da ciência

o saber é desprezível