11.11.06

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toda preocupação é um fardo inútil

que também não deixa de ser um passatempo

que fazer para justificar meu pecaminoso ócio

senão preocupar-me

não busco o bem-estar

nem acho que deva

quero que ele me caia no colo

pois do contrário não será bom

quero que magicamente ele surja

e que de então em diante eu me veja livre da escravidão

não sei como conseguimos

mas conseguimos

somos escravos livres

a inconciliável união do fato com a crença

somos livres para escolher nosso cativeiro

somos livres para viver e morrer

se escolhemos morrer

se não escolhemos morremos do mesmo jeito

não sabemos o que vem depois

damos rédeas ao medo

que nos governa e nos faz viver

e vivendo nos entupimos de desejos

que nos levam a assumir

desmedidas obrigações

para adquirir alimento e prosseguir

sem medida de prazer

sem saber por quê

não sabemos como não morrer

como sucedâneo criamos deus